Anatomia da orelha interna
O ouvido médio fica no antro mastoideo (osso mastoideo). Martelo > Bigorna > Estribo. O Estribo pousa sobre a janela do vestíbulo, do labirinto ósseo. A anela do vestíbulo é uma cavidade aberta, que recebe os impulsos do estribo diretamente. O estribo se une à janela por um ligamento anular. A janela da cóclea fica abaixo dela, e é a via de saída do impulso sonoro, sendo revestida por uma membrana. A cóclea é a parte mais anterior da orelha interna, seguida do estíbulo e dos canais semicirculares (posteriores).
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| Labirinto ósseo e membranáceo Retirado de Gray's Anatomia: A Base Anatômica da Prática Clínica, 40° ed |
O labirinto
ósseo fica na parte petrosa do osso temporal. Ela consiste em: vestíbulo (5x3
mm), canais semicirculares e cóclea. Os canais semicirculares detectam três
tipos de movimento da cabeça, através de suas ampolas:
- Ampola anterior: movimentos de flexão lateral do pescoço (plano coronal);
- Ampola lateral: movimentos de rotação do pescoço (plano transversal);
- Ampola posterior: movimentos de flexão e extensão do pescoço (plano sagital)
O canal semicircular anterior e o canal semicircular posterior possuem, cada um, até 20 mm de comprimento. O canal semicircular posterior mede até 15 mm de comprimento. Os três canais se situam em planos com aproximadamente 90° de diferença entre um e outro (de 86° a 112°). Os canais de uma orelha e outra não se situam completamente nos mesmos planos, com uma diferença média de 20° a 24° entre eles. Os raios dos canais medem cerca de 3,5 mm. O diâmetro dos canais ósseos é de cerca de 1,2 mm (ampolas chegando a 2 mm) e o diâmetro dos canais membranosos é de 0,3 mm.
- A cóclea: possui 9 mm de base e 5 mm da base ao ápice.
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| Estria vascular, de onde vem a endolinfa. Crédito do usuário Oarih, Wikipedia. |
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| Produção de endolinfa nas células escuras das ampolas Crédito de Hibino e Kurachi (2006). Physiology, 21:336-345 |
A perilinfa
tem uma composição semelhante ao fluido extracelular e ao líquor. O seu
principal cátion é o Na+. A sua
origem é do líquor do espaço subaracnoideo, que se conecta ao labirinto ósseo
pelo ducto perilinfático
(visto na Figura 2). O ducto
perilinfático se conecta à região da rampa do tímpano, próximo à janela redonda. A rampa
vestibular já contém concentrações maiores de glicose, proteínas e potássio, o
que é explicado pela contribuição da fronteira endotelial dos vasos cocleares.
Aproximadamente:
- A perilinfa possui 150 mM Na+, 5 mM K+ e 1,5 mM Ca2+.
- A endolinfa possui 2 mM Na+, 150 mM K+ e 20 μM Ca2+.
A Invervação do Vestíbulo
Ela ocorre
a partir de ramos do nervo vestibular, que se divide em 5 partes (2 máculas e 3
cristas). Uma mácula fica no utrículo e
outra no sáculo. Há uma crista para
cada uma das ampolas dos canais semicirculares.
A mácula do utrículo é triangular, grande,
horizontal, possuindo aproximadamente 2,5 x 2,5 mm. É um epitélio ciliado,
recoberto por uma gelatina cheia de estatocônios. Ele
detecta os movimentos horizontais para qualquer direção.
A mácula do sáculo é elíptica, pequena,
vertical, com aproximadamente 2,5 x 1 mm. Ele detecta os
movimentos verticais, principalmente gravitacionais, como quedas e elevações.
Ambas as
estruturas possuem as estríolas, que
são faixas a partir das quais as células ciliadas se organizam. Quando o cinecílio (o maior estereocílio) se
separa dos demais cílios, é um sinal para despolarização. Quando ele se
aproxima dos outros estereocílios, é um sinal de hiperpolarização (Figura 5).
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| Movimentos que interferem nos disparos das células sensoriais das ampolas Retirado de Gray's Anatomia: A Base Anatômica da Prática Clínica, 40° ed. |
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| Movimentos que interferem nos disparos das células sensoriais das máculas Retirado de Gray's Anatomia: A Base Anatômica da Prática Clínica, 40° ed. |
O fascículo
longitudinal medial conecta o vestíbulo aos núcleos oculomotores, trocleares e
abducentes, cerebelo (língula, úvula e flóculo) e núcleo do nervo acessório.
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| Anatomia e função da
língula, úvula e flóculo do cerebelo, que se conectam ao vestíbulo Retirado de João Maria Andarilho, SlideShare |
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| Anatomia e função da
língula, úvula e flóculo do cerebelo, que se conectam ao vestíbulo Retirado de Ganong's Review of Medical Physiology |
Manobras
A manobra
de Dix & Hallpike inicia com o paciente sentado na cama. Sua cabeça é
rodada a 45° para um dos lados. Ele então deita-se bruscamente, e a cabeça
então é extendida, mantendo a rotação, em 20°. Se o nistagmo estiver presente,
a manobra é positiva. Pode haver três tipos de nistagmo:
Torcional
(olhos rodam), horizontal (lado a lado) ou vertical (cima a baixo). A vertigem é um requerimento para que a
VPPB seja diagnosticada!
Caso a
vertigem seja torcional, origina-se do canal posterior e realiza-se a manobra
de Epley;
Caso a
vertigem seja horizontal, origina-se do canal lateral e realiza-se a manobra de
Lempert;
Caso a
vertigem seja vertical, origina-se do canal anterior e realiza-se a manobra deep head
hanging.
Manobra de Epley
Considerando que a etiologia da vertigem
paroxística posicional benigna esteja relacionada ao desprendimento dos
otocônios das máculas, esses otocônios migram geralmente para a ampola do canal
semicircular posterior, que é a primeira rota encontrada pelo otocônio, que
segue pela gravidade, inferiormente. Esse otocônio se adere à membrana
gelatinosa da cúpula da ampola, transformando-a
num órgão sensível à gravidade.
O
procedimento de Epley visa a remover esses otólitos canaliculares, agora
chamados canálitos, transferindo-os
à parede vestibular, onde podem se fixar.
Deita-se
com a cabeça virada para o lado acometido pela doença a 45° e extendida a
20-30°. Aguarda-se 30-60 segundos e vira-se a cabeça em 90°, para o outro lado
e aguarda-se mais 30-60 segundos. Em seguida, o paciente vira a cabeça mais
90°, precisando se deitar sobre o seu ombro oposto (do lado não acometido),
aguardando mais 30-60 segundos. A cabeça, nesta posição, deverá estar a 45° da
horizontal. Finalmente, a paciente se levanta.
Manobra de Deep Head Hanging
O paciente deita-se dorsalmente, e a cabeça
fica pendida, bastante extendida. Isso mobiliza o otólito da parte
superior-anterior do canal anterior para a parte posterior do canal anterior.
Lentamente, o paciente levanta a sua cabeça. Finalmente, o paciente fica
sentado novamente, concluindo a manobra.
Manobra de Lempert
Inicia-se com o corpo deitado dorsalmente, com
a cabeça completamente virada para o lado acometido. Isso mobiliza o otólito da
ampola do canal lateral para a sua parte mais posterior. O paciente então vira
o pescoço para o lado contrário. Isso mobiliza o otólito para o terminal
posterior do canal lateral. O paciente fica então de bruços, para que o otólito
saia completamente do canal.
Exercício de habituação: Brandt Darof
Paciente sentado na cama, vira a cabeça a 45°
para um lado e então se deita rapidamente para o lado contrário, sem mover a
rotação da cabeça. Aguarda-se 15 segundos, levanta-se rapidamente e restabelece
a posição da cabeça. Após 15 segundos, repete-se, mas invertendo os lados. Essa
série é repetida 5 vezes. Esse exercício
acostuma o paciente aos estímulos confusos da vertigem, reduzindo seus sintomas
a longo prazo. Ele estimula principalmente o ducto posterior. Entretanto,
ele não funciona tão bem quanto as manobras acima.
Dimenidrato (Dramin) e Flunarizina
Antieméticos e antivertiginosos. O Dramin é uma
etanolamina antagonista histamínica de primeira geração (bloqueia H1). A Flunarizine
é um antagonista de cálcio não seletivo, com propriedades antihistamínicas,
bloqueador de receptor de serotonina e bloqueador de receptor D2 de dopamina.
Sua ação é mais em canais de cálcio intracelulares, como aqueles associados à
calmodulina. Ele atinge níveis 10 vezes maiores no SNC do que no plasma. Ela é
usada para profilaxia de enxaqueca, doença vascular periférica oclusiva e
vertigem central ou periférica.






