As informações abaixo foram retiradas de uma postagem no blog do NEJM realizada em 21/02/2014 por Sara Fazio. Não há link fixo para a referenciação. Vale apenas como um guia geral.
Estridor (Stridor)
Som agudo e musical, produzido por ar turbulento que passa pelas vias aéreas superiores. Muitas vezes intenso e audível claramente sem a ajuda de estetoscópio. Na maioria das vezes é mais intenso na inspiração, produzido à altura do pescoço. Sugerem: presença de obstrução extratorácica, epiglotite, edema de vias aéreas, inalação de corpo estranho.
Sibilo (Wheeze)
Sempre associados à limitação do fluxo aéreo, mas nem toda a limitação de fluxo é acompanhada de sibilos. O tom do sibilo (tom agudo) é determinado pelo diâmetro da via aérea, da espessura da parede da via aérea, pela dureza dessa parede e pela sua tensão longitudinal. Podem ser inspiratórios, expiratórios ou bifásicos. Na asma e na DPOC pode ocorrer por todo o tórax. Sugerem: quando localizados, sugerem obstrução por corpo estranho ou tampão mucoide. Quanto mais grave a lesão, menor a chance de ela causar um sibilo.
Ronco (Rhoncus)
Variante do sibilo, mas de frequência acústica baixa (som grave). Compartilham o mesmo mecanismo de existência, mas o ronco pode desaparecer após tosse. Sugerem: secreções
Crepitação fina, "estertor crepitante" (Fine crackles)
Ocorrem geralmente da metade para o final da inspiração, específicos de regiões pulmonares, não sendo transmitidos pela boca. Não são influenciáveis pela tosse, mas são alterados pela gravidade, surgindo e desaparecendo com o paciente em diferentes posições. Sugerem: fibrose pulmonar idiopática (iniciam na base e sobem para os ápices, com a progressão da doença), doenças intersticiais.
Crepitação grossa, "estertor subcrepitante" (Coarse crackles)
Ocorrem geralmente no início da inspiração e, em staccato, durante toda a expiração. Podem ser ouvidos em qualquer região pulmonar, podendo ser transmitidos pela boca. Podem mudar ou desaparecer com a tosse, mas não são influenciados pela posição do corpo. Sugerem: DPOC, bronquiectasia, asma, pneumonia e ICC.
Atrito pleural (Pleural friction)
Pleura visceral se espessa, tal que a sua passagem pela pleura parietal produz um som crepitante. Mais proeminante à ausculta das bases e das regiões axilares. Isso ocorre porque as regiões basais se expandem mais do que as apicais durante a inspiração. Geralmente, o som é bifásico, com os sons inspiratórios espelhando os expiratórios. Sugerem: doenças inflamatórias (pleurites)
Ausculta: audios
ThinklabsLittmann
Informações adicionais
Estertores (crepitações)
Clique para referência (Annals of Thoracic Medicine)
Inicialmente, se pensava que o mecanismo de formação dos estertores era devido simplesmente à passagem de ar através de secreções em vias aéreas de diferentes calibres, levando a um som de "bolhas". Entretanto, o mecanismo é mais abrangente que isso e deve ser compreendido para que alguns eventos façam sentido. Por exemplo, se fôssemos considerar que os estertores finos fossem exclusivamente por acometimento alveolar, não haveria sentido que alguns estertores finos sofressem alteração dependendo da posição do paciente (sentado/decúbito), mas isso ocorre (conforme as informações do blog do NEJM e da referência citada abaixo).MecanismoFredberg and Holford 1983 – hipótese do quadrupolo relaxamento-estresse, na qual os estertores são causados por vibração da parede das vias aéreas pequenas. A abertura e fechamento repentinos dessas vias gera ondas de estresse que se propagam pelo parênquima.Vyshedskiy 2009 – estertores expiratórios são produzidos por fechamento repentino das vias aéreas, são menos energéticos que os estertores inspiratórios, que são gerados pela abertura energética das vias aéreas.Almeida 2013 – hipótese da ponte líquida, que se rompem na inspiração (estertores inspiratórios) e se formam na expiração (estertores expiratórios).O mecanismo, portanto, está principalmente ligado à obstrução da vias aéreas, mas não exclusivamente devido a secreções. Perda de complacência bronquial ou bronquiolar, bem como o edema das vias aéreas levando à obstrução completa leva ao estertor, no momento da passagem de ar forçada. A fibrose intersticial também leva ao estridor fino, presente nas fases de recuperação da pneumonia e na fibrose intersticial idiopática.